(fuck everythin’, man) that’s what my conscience said

Chegamos ao limite. Agora o novo será apenas retorno. Tyler, The Creator me deixo inquieto com o vídeo clipe de “Yonker”. Não sou nenhum admirador de rap, hip-hop ou qualquer coisa no tipo mas, pqparille, esse cara é foda! É bem por onde começa a letra: “I’m a fuckin’ walkin’ paradox, no i’m not”. São toneladas de palavrões funcionando como metralhadoras perversamente cruéis para todo lado. Salve-se quem puder. “I’m not gay, I just wanna boogie to same Marvin”, hahaha…

I’ll crash that fuckin’airplane at that faggot nigga”, seja lá que merda isto signifique, o cara está cutucando na ferida do U.S. E, cacete, se liga nisso aqui: “All I want, fuck money, dimonds and bitches, don’t need’em but where the fat ones at, I got somethin’ to feed’em”. Caralho! O cara detona todas com “actions speak louder than words, let me try this shit, dead”. BOOM!!! Caralho, o cara fez o que fez no vídeo? Suicídio! É, chegamos ao limite. Tudo agora é retorno.

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uma vez apenas vi a bruxaria

Na minha opinião o que torna o trabalho de E. E. Evans-Pritchard magnifico é não apenas sua escrita, mas como se coloca diante da crença do outro. Por vezes parece crer na bruxaria dos Azandes, mas se coloca ao mesmo tempo cético e no fim não sabemos, afinal de contas, se acredita ou não. 

“Uma vez apenas vi a bruxaria em seu caminho. Eu ficara escrevendo até tarde, em minha cabana. Por volta de meia-noite, antes de me recolher, tomei de uma lança e saí para meu costumeiro passeio noturno. Andava pelo jardim atrás de minha cabana, entre bananeiras, quando avistei uma luz brilhante passando pelos fundos da cabana de meus criados, em direção à residência de um homem chamado Tupoi. Como aquilo parecia merecer investigação, começei a segui-la até que um trecho de relva alta obscureceu minha visão. Corri depressa, atravessei minha cabana e saí do outro lado, de forma a ver para onde a luz estava indo; mas não consegui mais vê-la. Eu sabia que apenas um de meus criados tinha uma lamparina capaz de emitir luz tão brilhante, mas na manhã seguinte ele me disse que não tinha saído àquela hora e nem usara a lamparina. Não faltaram ávidos informantes para dizer-me que o que eu tinha visto era bruxaria. Pouco depois, nessa mesma manhã, um velho parente de Tupoi, agregado à sua residência, morria. Esse acontecimento explicou inteiramente a luz que eu vira. Nunca cheguei a descobrir sua origem real; possivelmente um punhado de relva aceso por alguém que saía para defecar. Mas a coincidência da direção em que a luz se movia e a morte subseqüente estava bem de acordo com as idéias Zande”.

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Será ciúmes ou apenas um triângulo amoroso?


Henri Cartier-Bresson – Boulevard Diderot / Sidewalk Café, 1969.

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restif taradão

PQParile! Hahaha… Século XVIII era uma zona mesmo, ao menos é o que os libertinos me fazem imaginar. Estava aqui lendo Anti-Justine de Restif de La Bretonne e não tem como não rir como isto:

Não (digo por experiência), não existe no mundo prazer comparável ao de mergulhar a vara tesa até o fundo da cona acetinada de uma filha querida, principalmente quando, mexendo o traseiro com coragem, ela descarrega copiosamente! Feliz! Feliz daquele que põe chifre e faz com que ponham chifres num genro igualmente detestado por ambos!”.

PQParile! Hahaha…

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o velho caubói

Um velho caubói entra no bar e pede uma bebida. Quando se acomodava para beber seu uísque, uma garota senta ao seu lado. Vira para o velho caubói e pergunta:
– Você é um caubói de verdade?
– Bom, – responde o velho caubói – passei a vida inteira na fazendo, tocando cavalos, remendando cerca e marcando o gado, então acho que sou sim.
– Eu sou lésbica – diz a moça. Passo o dia inteiro pensando em mulher. Assim que levanto de manhã, já penso em mulher. Tomo banho, assisto à TV, parece que tudo me faz pensar em mulher.
Um pouco mais tarde, um casal senta ao lado do velho caubói e perguta:
– Você é um caubói de verdade?
Ele responde:
– Sempre achei que sim, mas acabei de descobrir que sou lésbica.

 

Essa porra de lógica dedutiva! hahaha

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daltonismo

Documentário interessantíssimo sobre o contista Dalton Trevisan.

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nuersose de evans-pritchard

Fazer o trabalho de campo não é nada fácil. Trecho de Os Nuer de Sir Edward Evan Evans-Pritchard.

Os Nuer são peritos em sabotar uma investigação e, enquanto não se morou com eles por algumas semanas, ridicularizam firmemente todos os esforços para extrair os fatos mais corriqueiros e para elucidar as práticas mais inocentes. [...] Depois de algum tempo, as pessoas estavam preparadas para me visitar em minha barraca, fumar meu tabaco e mesmo fazer brincadeiras e bater papo, mas não estavam dispostas nem a me receber em seus abrigos contra o vento, nem a discutir assuntos sérios. Perguntas sobre costumes eram bloqueadas com uma técnica que posso recomendar aos nativos que são incomodados pelas curiosidades dos etnólogos. A seguinte amostra dos métodos nuer é o começo de uma conversa [...] sobre um assunto que pode ser um tanto obscuro, mas que, com boa vontade de cooperar, pode logo ser elucidado.

Eu: Quem é você?
Cuol: Um homem.
Eu: Como é o seu nome?
Cuol: Você quer saber meu nome?
Eu: Sim.
Cuol: Você quer saber meu nome?
Eu: Sim, você veio me visitar em minha barraca e eu gostaria de saber quem é você.
Cuol: Está certo. Eu sou Cuol. Como é o seu nome?
Eu: Meu nome é Pritchard.
Cuol: Como é o nome de seu pai?
Eu: O nome do meu pai também é Pritchard.
Cuol: Não, não pode ser verdade. Você não pode ter o mesmo nome que seu pai.
Eu: É o nome da minha linhagem. Como é o nome da sua linhagem?
Cuol: Você quer saber o nome da minha linhagem?
Eu: Sim.
Cuol: O que vai fazer com ele se eu disser? Você vai levá-lo para seu país?
Eu: Eu não quero fazer nada com ele. Eu só quero saber, já que estou vivendo no seu acampamento.
Cuol: Ah bom, nós somos lou.
Eu: Eu não perguntei o nome da sua tribo. Isso eu já sei. Estou perguntando o nome de sua linhagem.
Cuol: Por que você quer saber o nome de minha linhagem?
Eu: Eu não quero saber.
Cuol: Então por que está me perguntando? Dê-me um pouco de tabaco.

Desafio o mais paciente dos etnólogos a abrir caminho face a esse tipo de oposição. A gente fica maluco com ela. De fato, depois de algumas semanas de manter relacionamento unicamente com os Nuer, a gente exibe, se for permitido o trocadilho, os sintomas mais evidentes de “nuerose”.

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